quinta-feira, janeiro 2

A little bit of how I feel/fell

I think we have been doing the wrong wishes.
I never really believed in the consequences.
Thought I could deal with it.
I keep going alway and escaping places,
just to find out nothing changes.

quinta-feira, outubro 24

Foto da minha infância

Era dia de Halloween, eu tinha cerca de nove anos. Nessa época eu estudava na Escola Aplicação e, se me lembro bem, estava na 3ª serie. Fomos com o ônibus do colégio para uma festa de Halloween.  Estávamos todos fantasiados de bruxas, monstros, diabos, fantasmas, caveiras, e por aí vai. A festa também era incrível! Não me lembro o bairro ou nome do local, mas estava decorado por todos os lados, havia muitas fantasias para trocarmos, acessórios, maquiagem, comida e músicas. Havia também um cômodo, uma espécie de quarto do terror, onde, de dois em dois, nós entrávamos para levarmos sustos que nos faziam sair correndo do lugar. Eu e uma amiga nos arriscamos a entrar. Meio nervosas, olhamos em volta e estava tudo à meia luz. Um colchão em pé no canto, alguns moves espalhados... Nada mais. Der repente, do nada, aparece um homem correndo atrás de nós. Não pensamos duas vezes, fomos embora gritando. Depois do susto, risadas. Adorávamos adrenalina. E, por isso, resolvemos entrar lá de novo, dessa vez para pregar uma peça no tal “monstro”.  Enquanto esperávamos a nossa vez, combinávamos todo um plano: silêncio absoluto, sem risadas, sem pisões no chão, sem muitos movimentos, nos esconderíamos atrás do colchão antes que o homem saísse do seu esconderijo para nos assustar. Tínhamos que ser mais rápidas. Agora ele seria a vítima. Sem que ele nos visse, observamos a sua reação de confusão quando se preparou para dar mais um susto e percebeu que não havia ninguém ali. Era a hora. Pulamos na frente do colchão ao mesmo tempo em que gritávamos algum barulho assustador. Vitória. O mesmo dia da caça, pode ser o do caçador.

quarta-feira, agosto 21

Experimentar o SER e o ESTAR

Muitas coisas me inspiram para teatro. Eu sempre fui diferente, nunca gostei de rotinas, mesmices, coisas muito certinhas, exatas, “normais”. Sentia que isso era como estancar em um lugar só, não evoluir. E me dava uma tremenda angústia só de pensar em um dia sair do colégio, entrar na faculdade, me formar e começar um trabalho onde eu passaria o dia inteiro sentada na frente de um computador, fazendo o “ctrl c, ctrl v” diário. Meu anseio sempre foi pelo novo e pelo desconhecido, minha paixão desde pequena é experimentar, e foi dessa palavrinha que surgiram minhas diversas inspirações para o teatro.

Normais levantam, reclamam, vestem, irritam-se, xingam e cumprimentam sempre da mesma forma. Dão as mesmas respostas para os mesmos problemas. Tem o mesmo humor no serviço e em casa. Petrificam sorrisos no rosto, dão presentes sempre nas mesmas datas. Enfim, tem uma vida estafante e previsível. Fonte para vazios e enfados. Normais não surpreendem, não encantam. Deus, livra-me dos normais. (CURY Augusto, 2008)

Há uma famosa frase de Confúcio que diz “Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida”. Esse é um dos motivos de eu ter escolhido o teatro como profissão. Nada mais revigorante que ter prazer pelo que se faz, ainda mais quando se trata de algo que vou fazer pelo resto da vida e de onde vou tirar o meu sustento. Além disso, é muito mais fácil ter sucesso, evoluir e aprender todo dia com algo que te faz bem, feliz.


Em relação à experimentação, eu tenho em mim esse imenso desejo de estar sempre conhecendo lugares, coisas e pessoas novas, viajar por aí, deixando sempre um pouquinho de mim espalhado pelo mundo, expor coisas, ações, que fizessem as pessoas refletirem sobre assuntos diversos, e que isso pudesse de alguma forma fazer alguma interferência ou sentido na vida daquelas pessoas. Uma vontade de viver várias vidas, experimentar situações inusitadas, papéis diferentes, “viver” em épocas distintas... É como se eu quisesse estar presente em cada lugarzinho do mundo, em todos os períodos históricos, no lugar de pessoas extremamente diferentes.

Dizem que as pessoas vão ao teatro para ver coisas que não fariam - ou gostariam de fazer, mas não têm coragem – na vida real. Já eu tenho vontade de experimentar tudo o que pode ser feito em cima do palco (entenda-se local destinado à apresentação dos atores, que pode ser, por exemplo, a rua).

Eu poderia citar ainda infinitos fatores que me inspiram para as artes cênicas, pois, quanto mais eu penso sobre isso, mais motivos me vêm à cabeça... Simultaneamente, todos esses desejos aumentam dentro de mim. É uma verdadeira paixão e não há outra profissão que eu queira ou pense em seguir. Chega a ser agonizante ter tantas inspirações e não poder expressar todas aqui.


Para tentar resumir um pouco de todas essas sensações que vibram dentro de mim em relação ao teatro, eu mixei trechos dos dois livros da série O Vendedor de Sonhos, de Augusto Cury “Preferiu ser uma caminhante em busca da única coisa que determinava a sua essência. Quem não se deslumbra com o fenômeno da existência será como uma criança que vive no teatro do tempo sem ter consciência mínima da vida.” E é assim que eu me sinto. Deslumbrada pelo fenômeno da existência, inspirada pelas inúmeras possibilidades que ela me permite, seguindo meu instinto para aquilo que representa a minha essência: as artes cênicas.




2012.1

quarta-feira, agosto 14

Minha vida de volta.

Percebi que aos poucos estou perdendo as pessoas que amo. Estou te perdendo agora. Por favor, não vá. Apesar de tudo, eu te amo.

Você está se transformando num monstro. Sei que também mudei, mas juntas podemos voltar a ser quem éramos antes. Tudo pode mudar e as coisas podem voltar a ser perfeitas. Eu quero a minha vida de volta. SÓ QUERO A MINHA VIDA DE VOLTA, ME DÊ A MINHA VIDA DE VOLTA! Alguém sugou minha alma e o medo tomou conta de mim. O nosso mundo está desmoronando, mas tudo o que te peço é a minha vida de volta. Será que é pedir demais?

Não posso me matar; eu não teria a minha vida de volta. Nem fugir dos problemas; eu estaria abandonando você. Só quero que saiba que sempre vou te amar, mesmo enquanto você for esse monstro. Mas me diz o que fazer se um por um estão indo embora todas as pessoas que eu amo.

Eu quero a minha vida de volta. Só quero a minha vida de volta. Será que é pedir demais?


18.02.2006
Vicky Fechine

terça-feira, novembro 8

O que você nunca vai saber!

Não pretendo te contar sobre minhas lutas mentais. Você terá nas mãos minha simplicidade e minha leveza, que podem não ser totalmente verdadeiras, mas foram criadas com muito carinho pra não assustar pessoas como você. Não vou ficar falando sobre a complexidade dos meus pensamentos, minha dualidade ou minhas dúvidas sobre qualquer sentimento do mundo. Vou te deixar com a melhor parte, porque eu sei que você merece. Guardo pra mim as crises de identidade e a vontade de sumir. Não vou dissertar sobre minhas fragilidades e minhas inseguranças. Talvez eu te diga algumas vezes sobre minha tristeza, mas só pra ganhar um pouquinho mais de carinho. Ofereço meu bom humor e minha paciência e você deve saber que esta não é uma oferta muito comum.

Se você tivesse chegado antes, eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber. Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É UM RISCO. EU PULO, SE VOCÊ ME DER A MÃO.


Você não precisa saber que eu choro porque me sinto pequena num mundo gigante. Nem que eu faço coisas estúpidas quando estou carente. Você nunca vai saber da minha mania de me expor em palavras, que eu escrevo o tempo todo, em qualquer lugar. Muito menos que eu estou escrevendo sobre você neste exato momento. E não pense que é falta de consideração eu dividir tanto de mim com tanta gente e excluir você dessa minha segunda vida, porque há duas maneiras de saber o que eu não digo sobre mim: lendo nas entrelinhas dos meus textos e olhando nos meus olhos.

E a segunda opção ninguém mais tem.

(V.H.)

segunda-feira, outubro 17

HETEROFOBIA

Pelo direito de ser diferente                                                                                                                            por Ruleandson do Carmo



Preciso confessar: sofro de heterofobia. Não consigo achar normal duas pessoas de sexos diferentes se amarem. Minha religião não permite! Como pode um homem dar prazer a alguém com um corpo tão diferente do dele? Ele nem sabe que prazer uma mulher sente de verdade ao ser tocada e vice-versa. Como um hétero pode ter certeza de que é heterossexual se ele nunca ficou com um ser do mesmo sexo? A heterossexualidade, na verdade, é apenas uma fase, vai passar um dia, após a adolescência.

Seu filho é hétero? Coitado! Mas, não se preocupe, é apenas modismo, ele quer ser hétero só porque viu aquele casal hétero na novela, bobo. Aliás que pouca vergonha se tornou a televisão e o cinema?! Exibem cenas de sexo hétero a todo momento. Isso devia ser proibido, pois pode obrigar as crianças a se tornarem heterossexuais. Mas a bem da verdade os heterossexuais são seres promíscuos. P-R-O-M-Í-S-C-U-O-S! Não podem ver um rabo-de-saia que já estão gritando "gostosa", são pervertidos. Ou você já viu um grupo de pedreiros gays gritando "tesão" quando passa o vizinho sarado? E quando se reúnem vários héteros, então? É uma putaria sem fim. É só ter uma micareta, um festival de axé, que os héteros ficam se pegando feito animais no cio, e no dia seguinte a rua fica cheia de camisinhas usadas.

Isso sem falar na competência dos héteros. Por que uma empresa contrataria alguém tão conformado, sem criatividade e que vai dar em cima de todas as funcionárias, como um heterossexual? Não, não, héteros precisam de cartilhas a todo momento, para dizer o que é certo ou errado, não contrate-os. Fora isso, eles costumam sair à noite e ir a boates e ficam beijando na frente de pessoas que não estão acostumadas a ver isso, eles deviam se dividir em grupos, se afastar da sociedade e colocar na porta: "aviso: boate hétero".

Onde está a moral hétero, hein? Olha o número de adolescentes grávidas no Brasil! Héteros não amam, eles só pensam em sexo! Dispensa comentar acerca das doenças sexualmente transmissíveis, né? Héteros são lotados delas! Afinal não há mais grupos de risco e sim comportamentos de risco e quem sofre cada vez mais com a AIDS são as mulheres casadas. Héteros são um problema de saúde pública, não sei por que não tratam a heterossexualidade como doença (e ainda querem me impedir de falar heterossexualismo, que frescura!).

Héteros não tem condições de criar uma família. Os homens héteros pensam apenas em futebol e cerveja, largam as esposas em casa para irem aos estádios de futebol, ou para se reunirem com os amigos no bar da esquina. As mulheres héteros só querem saber de cuidar do cabelo, fazer compras e até esquecem os bebês no carro para ir ao shopping. Existem registros de casais héteros, que geraram seus filhos biologicamente, e foram capazes de atirá-los pela janela e até na lagoa. Onde está o futuro de uma criança com um hétero?

Na verdade pode ser falta de espiritualidade. Héteros devem ser pessoas afastadas de Deus, que não sabem seguir as regras do Senhor. O inferno tá cheio de héteros, queimando por suas vidas impuras. E Deus, O ser superior que ama a todos, jamais perdoaria alguém que ama um sexo diferente. Devemos alertá-los para deixarem de ser héteros, antes que seja tarde demais para voltarem a uma vida normal!

E o que é pior é saber que ser hétero é uma opção, uma escolha. Ou você não se lembra? Lembra sim, safado! Quando a criança faz 12 anos, os pais apresentam um menu e perguntam: "Meu filho, você agora precisa decidir se vai gostar de homem ou de mulher. Você prefere ter uma ereção ao ver a Britney Spears ou o Ricky Martin ou ambos?". É tudo escolha, nós exercemos total controle sobre nossos sentimentos e sexualidade desde o nascimento. Chega disso, chega de heterossexuais, de suportá-los infiltrados na sociedade! Se eu tiver um filho, eu quero que ele seja gay!

terça-feira, agosto 9

Homofomídia

A cultura baiana e até mesmo a brasileira, apesar de se achar aberta e moderna, é extremamente conservadora. Qualquer episódio um pouco fora do “normal” é tido como absurdo. Pode-se constatar isso fazendo um teste bem simples como sair de casa com um pé de cada meia e observando a reação exagerada de espanto das pessoas para este ato tão insignificante. Quando se trata de temas mais delicados, como a homossexualidade, estas reações são bem mais elevadas.

A homossexualidade existe desde o tempo dos índios, ou seja, é mais antiga do que o próprio descobrimento do Brasil, entretanto até hoje é um assunto polêmico e pouco aceito pela sociedade, talvez por ter sido sempre repreendida, sem ter um espaço, sendo obrigada a se manifestar às escondidas.

O que a mídia vem fazendo ultimamente é expor constantemente o tema e suas vertentes, principalmente a homofobia, e isso é um ganho para a comunidade LGBT, pois, além de ser uma evolução na representação homossexual, a grande mídia é um forte instrumento de formação de opinião, levando em consideração que a maioria da população é analfabeta estrutural ou funcional, e 95% dos lares brasileiros possuem aparelho de TV. Logo, querendo ou não as pessoas acabam tendo uma dimensão mais ampla sobre os problemas enfrentados pelos homossexuais e refletindo sobre essa discriminação.

Pelo fato de a maior parte da sociedade ter uma visão conservadora, não estando culturalmente preparada para lidar com certas questões, como foi dito anteriormente, ela despreza os temas relacionados à homossexualidade tratados pela mídia, afirmando serem inapropriados e excessivos. Contudo, esses subtemas, incluindo a homofobia não passam de casos reais que acontecem todos os dias, com diversos gays, em locais de todo tipo, e são provocados justamente pela maioria destas pessoas que desaprovam a abordagem. Repito: pela maioria.

Apesar de atualmente os meios de comunicação estarem apostando bastante no tema homofobia, a mídia ainda retrata muito menos do que acontece. A questão é que o diferente incomoda. Mas há um porém. O fato de não haver excesso na forma de a mídia tratar o tema ‘Homofobia’, não quer dizer que ela retrate da forma correta, mais adequada, ou pelos motivos certos. O que mais se vê na televisão são estereótipos e abordagens preconceituosas e desrespeitosas. Sem contar o fato de que as personagens gays são excluídas da trama central, possuindo sempre papéis secundários. Há muitas outras expressões da homossexualidade a serem apresentadas, falta naturalidade.

A cultura preconceituosa do povo brasileiro é algo preocupante, que precisa ser repensada e trabalhada urgentemente. Chegou-se ao ponto em que é mais “normal” o Mensalão, o metrô de Salvador completar doze anos sem nem funcionar, agredir homossexuais nas ruas, menosprezar a capacidade dos negros e as habilidades da mulher, brigar em festas, usar drogas, roubar e até matar, do que tocar no assunto homossexualidade. Uma prova disto é a audiência exacerbada do programa Se Liga Bocão. Que país é esse?

Vicky Fechine